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Cibersegurança em 2025: o que foi previsto, o que se consolidou e como o ano terminou (com o mapa para 2026)
Brasiline
8 de janeiro de 2026

2025 não foi “mais um ano ruim” em cibersegurança. Foi o ano em que o risco cibernético consolidou de vez seu lugar como risco corporativo número 1, com impacto direto em continuidade operacional, receita, reputação e conformidade. (Fonte)

Ao mesmo tempo, a aceleração da IA ampliou o paradoxo: todo mundo entende o tamanho do risco, mas poucos têm governança e salvaguardas no nível necessário.

A seguir, confira 2025 em três partes: o que o mercado previa, o que se confirmou/virou padrão, e como o ano terminou — com as apostas mais prováveis para 2026.

1) O que o mercado previa para 2025 (e por que isso importava)

Cyber como risco #1 (e IA entrando como risco estrutural)

O Allianz Risk Barometer 2025 colocou incidentes cibernéticos como o principal risco global (38%), à frente de interrupção de negócios (31%). E trouxe um sinal importante: o impacto de novas tecnologias (incluindo IA) aparece como novo entrante relevante — reforçando que IA deixou de ser só “habilitador” e passou a ser também vetor de risco que exige governança.

No recorte do que mais preocupava as empresas: data breaches, ransomware/malware, falhas em cloud/cadeias digitais e fraudes como BEC (e-mail spoofing) estavam no radar desde o início do ano.

O “gap” de IA: consciência alta, controle baixo

O WEF capturou o problema com um dado que explica muito do que vimos em 2025: 66% das organizações viam IA como o maior “game changer” de ciber, mas apenas 37% afirmavam ter salvaguardas para avaliar ferramentas de IA antes de usá-las.

A visão do Gartner: resiliência e continuidade no centro

Para o Gartner, 2025 consolidaria a segurança como disciplina voltada a resiliência e performance do negócio: reduzir risco, sim — mas principalmente manter a operação de pé (mesmo sob ataque).

2) O que 2025 consolidou de verdade (o que virou padrão)

Se 2024 foi o ano do “precisamos modernizar”, 2025 foi o ano do “precisamos operacionalizar e reduzir tempo de exposição”.

(1) Identidade virou o primeiro perímetro

O atacante não “quebra a empresa”: ele entra como usuário — credencial, sessão, token, OAuth, IdP.

Por isso, 2025 consolidou como padrão:

  • MFA resistente a phishing (FIDO2/passkeys onde aplicável);
  • PAM (privilégio mínimo, acesso JIT/JEA, cofre e auditoria);
  • Acesso condicional baseado em risco do usuário/dispositivo;
  • Governança do ciclo de vida de identidades (inclusive terceiros).

(2) Vulnerabilidade + “edge” virou via rápida de comprometimento (e gestão de exposição saiu do slide)

O Verizon DBIR 2025 trouxe um recado objetivo: exploração de vulnerabilidades como acesso inicial cresceu 34% e chegou a 20% das violações. E mais: para dispositivos de perímetro, a mediana para remediar foi de 32 dias — um intervalo enorme comparado à velocidade do atacante.

Resultado prático: em 2025, empresas maduras pararam de tratar “patch” como tarefa reativa e passaram a operar gestão contínua de exposição (priorização por risco, superfície externa, ativos críticos e internet-facing).

(3) Terceiros e supply chain deixaram de ser cláusula contratual e viraram risco central

No DBIR 2025, o envolvimento de terceiros dobrou para 30% das violações. E o WEF reforçou supply chain como um dos grandes bloqueios para resiliência.

A consolidação de 2025 foi: TPRM com evidência técnica, e não só questionário. (Integrações, APIs, acessos, segmentação, mínimo privilégio, validações de integridade, SBOM/assinaturas quando aplicável.)

(4) Cloud e cadeias digitais puxaram CNAPP/SSE/SASE para o centro

A Allianz já indicava preocupação com falhas em cloud/cadeias digitais e plataformas. Com isso, 2025 consolidou:

  • CNAPP (postura + workload + identidade + runtime);
  • SSE/SASE (ZTNA/SWG/CASB) como pilar de acesso moderno;
  • Governança de dados (exposição, classificação, controle de saída).

(5) Ransomware virou “dados + tempo” (não só criptografia)

O Sophos Active Adversary Report 2025 mostra a mudança do jogo: em incidentes de ransomware, exfiltração foi confirmada em 43% dos casos (com mais 14% como “possível”). E a mediana até exfiltração foi de ~3 dias.

Isso explica por que 2025 consolidou, na prática:

  1. Backup imutável + testes de restauração + runbooks;
  2. SOC/MDR 24x7 com resposta rápida e playbooks integrados;
  3. DLP/controles de saída e dados (porque vazamento virou impacto dominante).

(6) O atacante industrializou (e isso virou dado)

Fortinet/FortiGuard descreve explicitamente o avanço de automação, reconhecimento acelerado, exploração em escala e roubo de credenciais. E a Check Point apontou um dado que virou manchete: +44% de aumento ano a ano em ataques globais (repercutido também no Brasil).

3) Como 2025 terminou (o “estado do jogo”)

No fim de 2025, o cenário ficou mais claro (e mais exigente) em cinco pontos:

1) A tríade dominante de risco: Identidade + Vulnerabilidades (edge) + Terceiros

É onde o atacante entra mais rápido, com melhor custo/benefício, e com maior impacto.

2) Ransomware é disciplina de extorsão e continuidade

O impacto é interrupção + vazamento + pressão regulatória, e não “só” indisponibilidade.

3) Segurança virou requisito para transformar (não para travar)

Gartner reforça a mudança: ciber precisa habilitar a transformação com governança, plataformas e controle operacional.

4) IA é vetor de ataque e vetor de defesa — mas governança decide quem ganha

A Allianz já descrevia essa ambiguidade: IA aumenta risco, mas pode aumentar resiliência. O WEF mostrou o gap: adotar é fácil, governar é o desafio.

5) Mobile e setores específicos ganharam peso

A Kaspersky reportou +29% em ataques a usuários Android no 1º semestre de 2025 vs 1º semestre de 2024 — reforçando mobile como vetor relevante para 2026.

4) O mapa para 2026 (o que já aparece no horizonte)

O que 2026 tende a acelerar é menos “mais ferramenta” e mais confiança demonstrável, rastreabilidade e governança de IA.

O Gartner lista tendências estratégicas para 2026 com impacto direto em ciber:

  • Segurança cibernética preventiva;
  • Rastreabilidade digital (integridade e origem de software/dados/conteúdo);
  • Plataformas de segurança de IA;
  • Geopatriação (estratégias para risco geopolítico e soberania/regionalização).

A Kaspersky também aponta para 2026 com:

  • maior uso de IA em operações maliciosas (ataques baseados em agentes);
  • foco crescente em regiões como América Latina;
  • mais pressão em cadeias globais e infraestrutura.

Fechamento: a lição de 2025 em 5 decisões práticas

Se eu tivesse que traduzir 2025 em ações executáveis, seriam estas:

  1. Reduzir tempo de exposição (edge, ativos internet-facing, priorização por risco).
  2. Tratar identidade como perímetro (PAM/MFA forte, governança, acesso condicional).
  3. Assumir que vazamento é provável e preparar resposta (dados, DLP, jurídico/comunicação).
  4. Terceiros como engenharia, não como papelada.
  5. Governar IA agora (shadow AI, proteção de dados, avaliação de risco, políticas e controles).

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