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Os ciberataques com IA exigem treinamentos focados em comportamento, não apenas conscientização
Brasiline
13 de julho de 2026

A Inteligência Artificial está transformando a forma como as empresas trabalham, mas também está mudando a maneira como os cibercriminosos conduzem seus ataques. Se antes os usuários eram orientados a identificar e-mails com erros de português ou mensagens claramente suspeitas, hoje a realidade é diferente. Ferramentas de IA permitem criar ataques muito mais convincentes, personalizados e difíceis de identificar.

Esse novo cenário torna evidente que apenas conscientizar os colaboradores sobre os riscos já não é suficiente. O desafio das organizações agora é desenvolver comportamentos seguros, preparando as pessoas para tomar decisões corretas quando estiverem diante de ameaças reais.

A conscientização aumentou, mas a preparação ainda é um desafio

A popularização da Inteligência Artificial fez com que a segurança cibernética ganhasse ainda mais espaço dentro das empresas. Os colaboradores sabem que a IA pode ser utilizada para criar campanhas de phishing mais sofisticadas, golpes de engenharia social mais convincentes e até simular comunicações de executivos, fornecedores e parceiros de negócio.

Ao mesmo tempo, os próprios funcionários passaram a utilizar ferramentas de IA para gerar textos, resumir documentos, analisar informações, escrever códigos e apoiar diversas atividades do dia a dia.

Esse aumento da exposição fez crescer também a percepção sobre a importância da segurança da informação.

Segundo o Relatório Global de Pesquisa sobre Conscientização e Treinamento em Segurança 2025, da Fortinet, 88% das organizações afirmam que o uso crescente de IA por agentes maliciosos aumentou significativamente ou parcialmente a compreensão dos colaboradores sobre a importância da conscientização em segurança.

Embora esse dado seja positivo, ele também revela outro ponto importante: apenas 40% das empresas acreditam que seus colaboradores estão realmente preparados para identificar, evitar e reportar ameaças cibernéticas que utilizam Inteligência Artificial. Os demais entrevistados consideram que suas equipes possuem apenas um nível moderado ou baixo de preparação.

Na prática, isso demonstra que conhecer os riscos não significa estar pronto para enfrentá-los.

A IA tornou as ameaças tradicionais muito mais difíceis de identificar

A Inteligência Artificial não criou apenas novos riscos. Ela também tornou muito mais sofisticadas ameaças que já existiam.

Hoje, um e-mail de phishing pode ser perfeitamente escrito, sem erros gramaticais ou traduções mal feitas. Mensagens fraudulentas conseguem reproduzir o tom de comunicação de um executivo, utilizar informações públicas para personalizar abordagens e convencer colaboradores de que uma solicitação é legítima.

Além dos ataques externos, cresce também outro desafio: o uso das próprias ferramentas de IA pelos colaboradores.

Sem orientações claras, usuários podem compartilhar informações confidenciais em plataformas públicas, confiar excessivamente em respostas geradas por IA, utilizar aplicações não autorizadas ou deixar de perceber riscos relacionados à privacidade, conformidade e proteção de dados.

Nesse contexto, o treinamento precisa ir além da identificação de sinais de alerta tradicionais. Os colaboradores devem aprender como verificar solicitações incomuns, validar informações antes de agir e utilizar ferramentas de IA de forma segura e responsável.

Governança de IA depende das pessoas

Muitas empresas já vêm implementando políticas para reduzir os riscos relacionados ao uso da Inteligência Artificial.

De acordo com o levantamento da Fortinet:

  • 53% treinam seus colaboradores sobre o uso adequado de ferramentas de IA generativa;
  • 53% utilizam tecnologias para monitorar ou impedir o compartilhamento de dados sensíveis nessas plataformas;
  • 48% já possuem políticas específicas para uso de IA;
  • 45% mantêm listas de aplicações autorizadas para utilização pelos colaboradores.

Essas iniciativas representam um avanço importante na governança da IA. No entanto, políticas e controles tecnológicos, sozinhos, não eliminam os riscos.

Uma política pode determinar que dados confidenciais não sejam inseridos em ferramentas públicas de IA, mas cabe ao colaborador compreender quais informações são consideradas sensíveis e quais plataformas estão autorizadas pela organização.

Da mesma forma, listas de aplicações permitidas só são eficazes quando os usuários conhecem essas diretrizes e as seguem em suas atividades diárias.

O treinamento precisa desenvolver comportamento

Em um cenário onde as ameaças evoluem constantemente, treinamentos anuais já não são suficientes.

As empresas precisam investir em programas contínuos, atualizados e focados em situações que realmente fazem parte da rotina dos colaboradores.

Isso inclui preparar os profissionais para:

  • identificar ataques de phishing criados com IA;
  • validar solicitações incomuns antes de executá-las;
  • proteger informações confidenciais;
  • utilizar ferramentas de IA aprovadas pela empresa;
  • revisar conteúdos gerados por IA antes de utilizá-los;
  • comunicar rapidamente atividades suspeitas.

Treinamentos baseados em cenários práticos tendem a gerar melhores resultados porque aproximam as políticas corporativas da realidade enfrentada pelos usuários.

Além disso, conteúdos específicos para cada área tornam o aprendizado ainda mais eficiente. Um profissional financeiro enfrenta riscos diferentes daqueles encontrados por um desenvolvedor, um colaborador do setor comercial ou um analista de suporte.

A resiliência depende do julgamento humano

Mesmo com toda a evolução da Inteligência Artificial, a decisão final continua sendo das pessoas.

São os colaboradores que decidem clicar em um link, compartilhar uma informação, aprovar uma solicitação, utilizar uma ferramenta de IA ou reportar uma atividade suspeita.

Por isso, o objetivo dos programas modernos de conscientização não é apenas transmitir conhecimento, mas desenvolver hábitos seguros.

Isso significa ensinar os usuários a validar informações antes de confiar, proteger dados antes de compartilhá-los, seguir as políticas internas e agir com cautela sempre que houver qualquer dúvida.

Quando esse comportamento passa a fazer parte da rotina da organização, a segurança deixa de ser responsabilidade exclusiva da equipe de TI e passa a integrar o trabalho diário de todos os colaboradores.

Preparando sua empresa para os desafios da IA

A IA continuará trazendo ganhos significativos de produtividade para as empresas, mas também continuará sendo utilizada para tornar os ataques cibernéticos mais sofisticados.

Diante desse cenário, investir apenas em tecnologia já não basta. É fundamental preparar as pessoas para reconhecer riscos, utilizar ferramentas de IA de forma responsável e tomar decisões seguras diante de situações cada vez mais complexas.

Na Brasiline, ajudamos empresas a fortalecer essa cultura por meio de soluções de conscientização e treinamento em segurança, como o Fortinet Security Awareness and Training (FortiSAT), que combina conteúdos atualizados, treinamentos por função e simulações práticas para desenvolver uma força de trabalho mais preparada para enfrentar as ameaças da era da Inteligência Artificial.

Fonte

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