Ransonware pelo Mundo
Estado do Ransomware em 2026
Brasiline
27 de julho de 2026

O ransomware continua sendo uma das maiores ameaças para empresas de todos os portes. Embora alguns indicadores mostrem uma redução nos valores pagos aos criminosos, a realidade ainda é preocupante: mais organizações tiveram seus dados criptografados em 2026, os custos de recuperação aumentaram e os ataques passaram a explorar cada vez mais falhas relacionadas à identidade digital.

Essas conclusões fazem parte da pesquisa Estado do Ransomware em 2026, realizada por uma fabricante global de soluções de cibersegurança, que ouviu 2.158 líderes de TI e segurança em 17 países, todos pertencentes a organizações que sofreram ataques de ransomware nos últimos 12 meses.

O estudo revela uma mudança importante no comportamento dos cibercriminosos e reforça que proteger apenas a infraestrutura já não é suficiente.

O e-mail voltou a ser o principal vetor de ataque

Durante os últimos anos, a exploração de vulnerabilidades ocupou o topo da lista das principais causas dos ataques de ransomware. Em 2026, esse cenário mudou.

Agora, os ataques começam principalmente por meio da engenharia social.

O levantamento aponta que:

  • 26% tiveram origem em e-mails maliciosos;
  • 24% começaram por campanhas de phishing;
  • 23% ocorreram após o comprometimento de credenciais;
  • 18% exploraram vulnerabilidades conhecidas;
  • 6% utilizaram ataques de força bruta.

Na prática, metade dos ataques teve origem diretamente no e-mail.

Isso demonstra que manter sistemas atualizados continua sendo importante, mas já não é suficiente para impedir a maioria das invasões. Tecnologias de proteção de e-mail, autenticação de remetentes (SPF, DKIM e DMARC) e programas contínuos de conscientização dos usuários passam a ter papel cada vez mais estratégico.

Ataques baseados em identidade dominam o cenário

Talvez o dado mais relevante da pesquisa seja a consolidação dos ataques focados em identidade.

Segundo o estudo:

  • 79% dos ataques de ransomware começaram a partir de uma abordagem baseada em identidade.
  • 67% das organizações afirmaram que o ataque de ransomware foi também o maior incidente de identidade que já enfrentaram.

Outro levantamento publicado pela mesma empresa em 2026 reforça esse cenário. Na análise de 661 casos reais de resposta a incidentes, 67% das causas raiz estavam relacionadas à identidade, enquanto 59% dos ambientes comprometidos não possuíam autenticação multifator (MFA) onde ela realmente era necessária.

Em outras palavras, os invasores estão deixando de procurar apenas vulnerabilidades técnicas e concentrando esforços em assumir identidades legítimas dentro das organizações.

Ter MFA não significa estar protegido

Um dos resultados mais curiosos da pesquisa mostra que a autenticação multifator já está amplamente adotada.

Em 97% dos ataques que tiveram credenciais comprometidas como causa principal, havia MFA habilitado de alguma forma.

O problema está nas lacunas.

Enquanto aplicações SaaS costumam contar com autenticação forte, ambientes como:

  • VPNs;
  • consoles administrativos de firewalls;
  • aplicações legadas;
  • sistemas internos;

ainda permanecem sem proteção adequada em muitas empresas.

Esses pontos acabam se tornando portas de entrada para os criminosos.

Onde os ataques estão começando?

Pela primeira vez, o relatório também identificou os locais onde ocorreram os comprometimentos iniciais da infraestrutura.

Os resultados mostram que os ataques começaram em:

  • 38% — aplicações e sistemas expostos à internet;
  • 30% — dispositivos dos usuários;
  • 21% — firewalls;
  • 8% — VPNs;
  • 3% — dispositivos IoT.

O dado sobre os firewalls merece atenção especial.

Quando um invasor consegue explorar uma vulnerabilidade nesse equipamento, normalmente obtém acesso privilegiado à infraestrutura inteira da organização.

Como consequência, os impactos financeiros tendem a ser significativamente maiores.

Segundo a pesquisa, 59% dos ataques iniciados por falhas em firewalls geraram pedidos de resgate superiores a US$ 1 milhão, acima da média geral de 48%.

Os pagamentos diminuíram, mas os prejuízos continuam crescendo

Embora muitos ataques estejam resultando em pagamentos menores aos criminosos, isso não significa que as empresas estejam gastando menos.

Na verdade, recuperar o ambiente continua extremamente caro.

O lado positivo

A pesquisa mostra alguns indicadores animadores:

  • valor médio exigido de resgate caiu para US$ 698 mil, redução de 65% em dois anos;
  • pagamento médio ficou em US$ 769 mil, abaixo do US$ 1 milhão registrado em 2025;
  • 51% das organizações que pagaram conseguiram negociar um valor inferior ao inicialmente exigido;
  • empresas do varejo apresentaram a menor taxa de pagamento de resgate (32%);
  • 66% das organizações recuperaram seus dados utilizando backups, crescimento de 12 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

O lado preocupante

Apesar dessas melhorias, os impactos continuam elevados.

Os números mostram que:

  • o custo médio de recuperação chegou a US$ 1,7 milhão por incidente, alta de 11%;
  • 56% dos ataques conseguiram criptografar os dados, contra 50% em 2025;
  • 48% das vítimas que tiveram seus dados criptografados pagaram o resgate, percentual praticamente estável nos últimos quatro anos;
  • 72% das organizações governamentais estaduais e municipais realizaram o pagamento, a maior taxa entre todos os setores analisados;
  • o Reino Unido apresentou o maior pedido mediano de resgate do estudo, atingindo US$ 2,5 milhões.

Ou seja, mesmo quando o pagamento ao criminoso diminui, o impacto operacional, financeiro e reputacional continua crescendo.

Pequenas empresas estão sofrendo mais

Outro dado chama atenção.

Empresas menores estão encontrando mais dificuldades para impedir os ataques antes da criptografia.

Entre organizações com 100 a 250 funcionários, apenas 34% conseguiram interromper o ataque antes que os dados fossem criptografados ou utilizados para extorsão.

Já nas empresas entre 3.001 e 5.000 colaboradores, esse índice chegou a 46%.

Na prática, empresas maiores tendem a possuir processos mais maduros, maior capacidade de monitoramento e equipes especializadas, enquanto organizações menores ainda enfrentam limitações de orçamento, ferramentas e pessoal qualificado.

O que as empresas podem aprender com esse cenário?

O relatório deixa uma mensagem bastante clara: o ransomware continua evoluindo.

Os criminosos não dependem mais exclusivamente de vulnerabilidades em sistemas. Hoje, exploram principalmente identidades comprometidas, falhas na autenticação, usuários desatentos e ambientes parcialmente protegidos.

Por isso, uma estratégia moderna de defesa deve combinar diferentes camadas de proteção, incluindo:

  • proteção avançada de e-mail;
  • autenticação multifator em todos os acessos críticos;
  • gestão de identidades e privilégios;
  • monitoramento contínuo do ambiente;
  • resposta rápida a incidentes;
  • treinamento constante dos colaboradores;
  • políticas robustas de backup e recuperação.

Mais do que impedir um ataque, o objetivo é reduzir o tempo de detecção e minimizar os impactos caso uma invasão aconteça.

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