O ransomware continua sendo uma das maiores ameaças para empresas de todos os portes. Embora alguns indicadores mostrem uma redução nos valores pagos aos criminosos, a realidade ainda é preocupante: mais organizações tiveram seus dados criptografados em 2026, os custos de recuperação aumentaram e os ataques passaram a explorar cada vez mais falhas relacionadas à identidade digital.
Essas conclusões fazem parte da pesquisa Estado do Ransomware em 2026, realizada por uma fabricante global de soluções de cibersegurança, que ouviu 2.158 líderes de TI e segurança em 17 países, todos pertencentes a organizações que sofreram ataques de ransomware nos últimos 12 meses.
O estudo revela uma mudança importante no comportamento dos cibercriminosos e reforça que proteger apenas a infraestrutura já não é suficiente.
Durante os últimos anos, a exploração de vulnerabilidades ocupou o topo da lista das principais causas dos ataques de ransomware. Em 2026, esse cenário mudou.
Agora, os ataques começam principalmente por meio da engenharia social.
O levantamento aponta que:
Na prática, metade dos ataques teve origem diretamente no e-mail.
Isso demonstra que manter sistemas atualizados continua sendo importante, mas já não é suficiente para impedir a maioria das invasões. Tecnologias de proteção de e-mail, autenticação de remetentes (SPF, DKIM e DMARC) e programas contínuos de conscientização dos usuários passam a ter papel cada vez mais estratégico.
Talvez o dado mais relevante da pesquisa seja a consolidação dos ataques focados em identidade.
Segundo o estudo:
Outro levantamento publicado pela mesma empresa em 2026 reforça esse cenário. Na análise de 661 casos reais de resposta a incidentes, 67% das causas raiz estavam relacionadas à identidade, enquanto 59% dos ambientes comprometidos não possuíam autenticação multifator (MFA) onde ela realmente era necessária.
Em outras palavras, os invasores estão deixando de procurar apenas vulnerabilidades técnicas e concentrando esforços em assumir identidades legítimas dentro das organizações.
Um dos resultados mais curiosos da pesquisa mostra que a autenticação multifator já está amplamente adotada.
Em 97% dos ataques que tiveram credenciais comprometidas como causa principal, havia MFA habilitado de alguma forma.
O problema está nas lacunas.
Enquanto aplicações SaaS costumam contar com autenticação forte, ambientes como:
ainda permanecem sem proteção adequada em muitas empresas.
Esses pontos acabam se tornando portas de entrada para os criminosos.
Pela primeira vez, o relatório também identificou os locais onde ocorreram os comprometimentos iniciais da infraestrutura.

Os resultados mostram que os ataques começaram em:
O dado sobre os firewalls merece atenção especial.
Quando um invasor consegue explorar uma vulnerabilidade nesse equipamento, normalmente obtém acesso privilegiado à infraestrutura inteira da organização.
Como consequência, os impactos financeiros tendem a ser significativamente maiores.
Segundo a pesquisa, 59% dos ataques iniciados por falhas em firewalls geraram pedidos de resgate superiores a US$ 1 milhão, acima da média geral de 48%.
Embora muitos ataques estejam resultando em pagamentos menores aos criminosos, isso não significa que as empresas estejam gastando menos.
Na verdade, recuperar o ambiente continua extremamente caro.
A pesquisa mostra alguns indicadores animadores:
Apesar dessas melhorias, os impactos continuam elevados.
Os números mostram que:
Ou seja, mesmo quando o pagamento ao criminoso diminui, o impacto operacional, financeiro e reputacional continua crescendo.
Outro dado chama atenção.
Empresas menores estão encontrando mais dificuldades para impedir os ataques antes da criptografia.
Entre organizações com 100 a 250 funcionários, apenas 34% conseguiram interromper o ataque antes que os dados fossem criptografados ou utilizados para extorsão.
Já nas empresas entre 3.001 e 5.000 colaboradores, esse índice chegou a 46%.
Na prática, empresas maiores tendem a possuir processos mais maduros, maior capacidade de monitoramento e equipes especializadas, enquanto organizações menores ainda enfrentam limitações de orçamento, ferramentas e pessoal qualificado.
O relatório deixa uma mensagem bastante clara: o ransomware continua evoluindo.
Os criminosos não dependem mais exclusivamente de vulnerabilidades em sistemas. Hoje, exploram principalmente identidades comprometidas, falhas na autenticação, usuários desatentos e ambientes parcialmente protegidos.
Por isso, uma estratégia moderna de defesa deve combinar diferentes camadas de proteção, incluindo:
Mais do que impedir um ataque, o objetivo é reduzir o tempo de detecção e minimizar os impactos caso uma invasão aconteça.
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